Em todo o mundo havia apenas uma só língua, apenas só modo de se comunicar. Quando os homens saíram do Oriente, se depararam com uma planície em Sinear e se estabilizaram por ali. Falavam uns com os outros: “Vamos criar tijolos e queimar eles bem”. No lugar das pedras, usavam tijolos, e ao invés de usarem argamassa, usavam piche. Depois anunciaram: “Nós vamos erguer uma cidade, com uma grande torre que chegue os céus. Por causa disso, nosso nome será famoso e não será necessário nos espalhar pela face da terra” (Gênesis 11.1-4).

Eu me recordo muito bem de uma frase que era muito repetida por um respeitado professor universitário no período em que fui bolsista em uma graduação. Toda vez que ele ouvia algum colega de classe enaltecendo-se por algum artigo, prêmio ou viagem, ele retirava-se e calmamente repetia “Kilvia, o bom bezerro não berra”. Essa frase era constantemente repetida para que eu me aperfeiçoasse profissionalmente aprendendo a lidar com minha futura vaidade.

Os herdeiros de Noé eram muito inteligentes e vaidosos, acreditavam que se as suas obras pudessem ser vistas ao decorrer do tempo, seriam admirados e recordados pelos seus sucessores. Essa não era apenas uma simples construção de uma cidade forte, era a edificação de uma enorme torre com tecnologia superior ao que era usado naquela época. Trocaram, de uma forma super inovadora, pedras por tijolos e argamassa por piche. Uma engenhosa mudança capaz de tornar os idealizadores da obra maiorais aos demais e, por isso, dignos de fama.

Tudo é vaidade

Ser vaidoso não é algo novo para a humanidade, Salomão já nos exortava que tudo na vida não passa de uma mera vaidade. Séculos se passaram e as suas palavras continuam atuais, o meio para exibir nossa vaidade certamente mudou, mas a motivação não. Não é mais uma planície em Sinear, são as redes sociais; não são mais tijolos e piche, são postagens e permutas; não é mais o ser e sim o aparentar ter. Lamentavelmente, para muitas pessoas a fama virtual é baseada pela quantidade de seguidores e de “likes”. A dedicação tem que torná-los verdadeiros astros, levá-los a tocar o céu como a torre de Babel.

A intenção da maioria das pessoas hoje é: “Vamos criar uma CARREIRA, com uma ESTRATÉGIA DE DIVULGAÇÃO que alcance O MAIOR NÚMERO DE SEGUIDORES POSSÍVEL . Dessa forma, nosso nome será famoso e não seremos MAIS UM DOS espalhados pela face da terra”.

Na contramão da vaidade

O dinheiro, a fama e o poder são temperos que dão sabor à vaidade. O ápice dos dias atuais é que o bezerro que berra mais alto e mais cedo têm mais chances de ser ouvido pelos demais. Nesse momento histórico onde a corrida pela fama tem sido tão incentivada, fico pensando como se dará a iniciativa divina para modificar o berro dos bezerros vaidosos num mundo que procura falar uma mesma língua.

⁃ E se tentássemos mudar?

⁃ E se no lugar da fama, almejássemos servir voluntariamente quem “não fala a nossa língua, não professa a nossa fé”?

⁃ E se a recompensa por nossas ações mais notáveis enchesse nossa alma ao invés da nossa carteira.

Sem fotos, apenas com fatos.

Vale a pena esse investimento?