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Antonio Carlos Costa
Just now·2 min read
Passei por pelo menos três experiências de desencanto com a vida. A primeira, por volta dos 20 anos. Foram dias nos quais sonhava com ilhas paradisíacas, ondas nunca surfadas, mulheres apaixonantes.
Naquele tempo, entretanto, passei a pensar na brevidade da existência humana. Percebi a vacuidade de tudo. “Todos esses momentos ficarão perdidos no tempo, como lágrimas na chuva”. Passei a me desesperar por Cristo e a esperança que ele proclamou.
Aos 45 anos, mergulho no Rio underground, e passo a conhecer a banalidade do mal: crianças mortas por bala perdida, policiais executados, sistema de justiça criminal tomado pela metástase da corrupção. Fingimos que vivemos em sociedade. Passei a me desesperar pela manifestação da justiça que Cristo prometeu aos que anseiam por ela.
Semana passada, levei mais um caldo da vida. Ao parar num hospital para fazer uma ressonância magnética a fim de saber se estava com câncer, vi o sofrimento não mitigável de doentes crônicos e me deparei com a minha própria finitude.
Essa nova onda que arrebentou sobre minha cabeça me fez considerar o fato de que a presente vida não foi designada para a nossa felicidade. Teremos um dia de nos separar de tudo e de todos que amamos. O tempo é um bem escasso e ninguém sabe o quão escasso é em sua vida. Passei a me desesperar pela graça mediante a qual Cristo nos faz “remir o tempo porque os dias são maus”.
Na linguagem do surf, no decorrer dos anos, tomei um seriado na cabeça, várias ondas quebraram em cima de mim.
Por todas elas sou grato ao Senhor dos mares. Sempre que me senti próximo de perder o fôlego, receoso de apagar no fundo das minhas angústias existenciais, voltei à tona, puxado por um poder maior do que tudo o que tenta afogar a você e a mim, e que me faz ter como vida apenas aquela que pode ser encontrada naquele que andou por sobre as águas, silenciou o vento e fez as ondas se ajoelharem diante da sua majestade.
Ps. Foto batida por mim no hospital. Desejei expor minha fragilidade, humanidade e completa dependência de Deus. Logo depois, eu “entubava” no aparelho de ressonância magnética, a fim de receber a mais doce visitação do Espírito de Cristo de toda a minha vida
Fundador da ONG Rio de Paz, teólogo e jornalista.
Fundador da ONG Rio de Paz, teólogo e jornalista.

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