‘Quando chegaram à eira de Nacom, os bois tropeçaram, e Uzá estendeu a mão e segurou a arca. A ira do Senhor se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu por causa disso. E ele morreu ali mesmo, ao lado da arca de Deus. Davi ficou indignado porque a ira do Senhor irrompeu contra Uzá e chamou aquele lugar de Perez-Uzá, como é conhecido até hoje. ‘
2Samuel 6:6–8
No contexto do versículo acima, Davi tinha acabado de se tornar rei de todo o território de Israel e tinha conquistado Jerusalém (2Samuel 5). A arca da aliança, que representava a presença de Deus em Israel, estava abandonada há muito tempo, desde quando os filisteus devolveram ela, antes mesmo de Israel ter tido o seu primeiro rei, Saul (1Samuel 6:21).
Então Davi, querendo restaurar a honra da presença de Deus, toma iniciativa de reunir os melhores soldados do seu exército para levar a arca para a, recém conquistada, Jerusalém. Local onde ele faria a cidade de Davi, fortaleza do rei de Israel.
Tudo era festa. O povo celebrava e louvava ao Senhor porque a arca estava sendo restituída ao lugar de honra que ela nunca deveria ter saído. Mas no meio do caminho, um dos bois tropeça. Uzá, provavelmente em um movimento de reflexo, tenta segurar a arca para que ela não caísse. A ira de Deus cai sobre Uzá e ele morre instantaneamente. Davi, ao ver isso acontecer, fica totalmente indignado.
Quando lemos essa história, eu e você, temos a mesma reação. Indignação. Porque Deus se irou tanto com o Uzá, visto que tudo estava sendo feito para a Sua adoração. Uzá, não fez o que fez por mal, mas a Arca estava caindo, e Uzá zelava pela Arca da presença de Deus.
Acontece que, na lei do Senhor, existiam várias ordenanças, detalhadas, de como a Arca da Aliança devia ser transportada. Ele deveria ser carregada pelos ombros (Números 7:9). Ninguém poderia tocar nela (Números 4:15). Até sua construção foi detalhadamente instruída por Deus (Êxodo 25:10–22).
Deus é Deus. Infinito, eterno e com todo o poder. Não importa quão grandes obras fazemos aqui na terra. Nada, vai ser muito grande para Deus. Nada vai impressioná-lo ou surpreendê-lo. No meio da grandiosidade do universo, nossas ações não fazem nenhuma diferença. Não importa o que façamos, as constelações, as galáxias, todo o universo, continua a trilhar o seu caminho, inabalavelmente. Deus, segura esse universo com as mãos, de forma que, não há nada que façamos, que possa acrescentar algo na Sua sabedoria ou no Seu poder.
Quando entendemos isso, podemos questionar o que devemos fazer aqui na terra que seja importante para Deus. As Sagradas Escrituras, vão nos ensinar, através da história de Uzá, ou de tantas outras, que a única coisa que podemos fazer para Deus, é obedecê-lo.
Jesus Cristo já nos alertou sobre entendermos o que significa “misericórdia quero e não holocaustos” (Matheus 12:7). Muitas vezes queremos fazer algo para Deus, que acreditamos que vamos agradá-lo, mas não nos damos conta que estamos sendo desobedientes. Uzá quis segurar a Arca, mas não percebeu, que quis mais segurar a Arca do que obedecer.
A história de Uzá não é a única com esse cenário dentro da Palavra de Deus. No Novo Testamento, Jesus, conta a parábola dos talentos, onde um servo, com medo do seu Senhor, escondeu o seu talento, pois, não queria perdê-lo (Matheus 25:25). Ele tinha feito isso, para não desagradar o seu senhor, porém, quando o seu senhor descobre isso diz: “Servo mau e preguiçoso! Se você sabia que eu colho onde não plantei e ajunto onde não semeei, por que não depositou meu dinheiro? Pelo menos eu teria recebido os juros” (Matheus 25:26–27). No fim, este senhor condena o seu servo para a escuridão (Matheus 25:30).
Temos a história do rei Saul. Deus ordena para Saul conquistar uma terra e destruir totalmente ela. Nem os animais deveriam sobreviver (1Samuel 15:3). Mas Saul poupa os melhores animais, porque queria sacrificá-los em uma cerimônia de adoração a Deus (1Samuel 15:20). Deus, então, envia seu profeta Samuel para condená-lo e usa uma frase semelhante a que Cristo usou: “O que agrada mais ao Senhor: holocaustos e sacrifícios ou obediência à voz dele?” (1Samuel 15:22).
O Apóstolo Pedro também cai na tentação de querer fazer algo para Cristo que não era obedecê-lo. Um dia, quando Cristo começa a revelar que sua obra era morrer com morte de cruz, Pedro, acreditando que estava fazendo algo em adoração a Ele, o repreende dizendo que não deixaria que o Messias morresse (Matheus 16:22). Mas Jesus responde a Pedro dizendo: “Afaste-se de mim, Satanás! Você é uma pedra de tropeço para mim. Considera as coisas apenas do ponto de vista humano, e não da perspectiva de Deus” (Matheus 16:23).
“Considerar as coisas apenas do ponto de vista humano”. Foi essa frase que Cristo usou quando Pedro pensou que poderia acrescentar algo na obra de Deus. Muitas vezes, quando queremos fazer algo para Deus, estamos considerando apenas o nosso ponto de vista, e deixamos de obedecê-lo.
Em todas essas histórias, vemos homens que tomaram atitudes que, do ponto de vista humano, deveriam agradar a Deus. Essas histórias nos alertam para a realidade de que, por mais que nossos desejos sejam sinceros e movidos por uma sede de agradar ao Criador, eles podem ser desejos de um coração que é enganoso (Jeremias 17:9) e eles vão nos levar por um caminho de desobediência ao Pai.
Então o verdadeiro questionamento é entender como podemos discernir quando um desejo foi plantado por Deus no nosso coração, ou quando ele é fruto da nossa natureza humana que acredita que pode fazer algo para impressionar a Deus. Deus tem uma obra a qual ele vai cumprir na vida de cada um para edificação da sua igreja (Filipenses 1:6). Como saber se o caminho que estamos tomando faz parte da obra específica que Deus vai desenvolver nas nossas vidas, ou é um caminho de perdição construído pelo nosso pecado.
O nosso sentimento não pode ser a única coisa para nos fazer decidir seguir com o aquilo que desejamos fazer na obra de Deus. Porque, todos esses homens sentiam que estavam fazendo algo do agrado de Deus. Mas, na verdade, eles estavam fazendo aquilo que seu coração enganoso desejava. Eles não estavam obedecendo.
Esse artigo não quer trazer uma receita simples de como podemos sempre acertar no discernimento entre o desejo do Espírito Santo e o desejo da nossa natureza pecadora. Mas quer trazer um ponto de partida, para que comecemos a aprender a discernir cada vez melhor qual é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para nossas vidas.
‘Disse-lhe o senhor: Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. ‘
Mateus 25:23
Voltando para a parábola dos talentos que Cristo contou para os seus discípulos (Matheus 25:14–30).
Algo interessante a se notar está nos servos que obedeceram ao seu senhor. Todos os que obedeceram ao seu senhor, receberam o seguinte reconhecimento: “foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei”.
Ser fiel no pouco. É exatamente sobre isso que o Espírito Santo quer nos falar através deste texto. Porque, se queremos fazer as grandes obras que Deus quer realizar nas nossas vidas. Ou, se querermos discernir quando um desejo é algo que Deus colocou no nosso coração ou é fruto do nosso ego e da nossa natureza pecadora. Antes de realizarmos essas grandes obras, devemos ser obedientes no pouco.
Ser fiel no pouco, dentro desse contexto, significa que, Deus tem uma obra que Ele quer realizar na vida de cada um de nós (Filipenses 1:6). Somos membros de um corpo e cada um de recebemos um chamado para realizarmos dentro deste corpo (Romanos 12:5–8). Mas, enquanto essa obra esta sendo desenvolvida na nossa vida, devemos ser obedientes no pouco para que possamos ser obedientes na hora de cumprir a obra específica que Deus escolheu para podermos edificar a sua igreja.
Cristo nos deixou ordenanças. Ele disse para ensinarmos a todos a obedecer tudo o que Ele nos ordenou (Matheus 28:20). Ou seja, antes de conseguirmos obedecer aquilo que Deus tem como obra específica para nossa vida, devemos praticar obediência naquilo que Jesus, objetivamente, ordenou para toda a sua igreja.
Aquilo que Jesus Cristo ordenou, Ele fez. Jesus não se resumiu em simplesmente falar o que Ele queria que fizéssemos, mas Ele também se tornou o nosso exemplo para que pudéssemos segui-lo. Jesus, é o nosso exemplo (Filipenses 2:5).
Vamos falar de algumas coisas agora, que Jesus Cristo nos ordenou e também fez, e que nos ajuda a praticarmos obediência para que possamos discernir o que é obediência a Deus dentro dos desejos que estão no nosso coração.
A primeira delas, que vamos falar aqui nesse texto, é o perdão. Aquilo que Jesus Cristo ordenou, Ele fez. Cristo nos ensinou a orar pedindo “perdoa as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Matheus 6:12). Jesus Cristo nos ensinou sobre perdão e Ele também perdoou. Na cruz, Ele clamou ao Pai “Perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).
Eu não sei quantas vezes eu já ouvi uma pregação sobre perdão. Sobre que perdoar é demonstrar o amor de Deus. Ou que perdoar faz muito melhor para quem perdoa do que para quem é perdoado. Mas, nesse texto, o Espírito Santo quer nos fazer olhar para esse novo aspecto do perdão: praticar obediência.
Quanto mais perdoarmos, mais prática teremos em obedecer a Deus. Quanto mais prática tivermos em obedecer a Deus, mais conseguiremos discernir sobre os desejos do nosso coração, para fazermos somente aquilo que Deus quer que façamos, na obra que Ele tem para realizar nas nossas vidas, em obediência a Ele.
Ou seja, quanto mais erros cometerem com você, mais se alegre. Você está tendo a oportunidade de, por muitas vezes, praticar obediência a Cristo Jesus.
Na nossa fé cristã reformada, temos dois: batismo e ceia. Vamos começar pelo batismo. Aquilo que Jesus Cristo ordenou, Ele fez. Jesus Cristo nos ordenou a batizar em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Matheus 28:19). O próprio Filho de Deus se batizou e quando João Batista disse que carecia ser batizado por Ele, Jesus Cristo respondeu: “assim, nos convém cumprir toda a justiça” (Matheus 3:15).
Muitas pessoas colocam o batismo em dúvida com o argumento de que não precisamos do batismo para sermos salvos, apenas da nossa fé na obra redentora de Jesus. Isto, em certo sentido está certo, mas em outro sentido devemos entender que quando conhecemos a Cristo, percebemos tínhamos uma vida de plena desobediência e rebeldia. Que, agora, temos um longo caminho a qual vamos desenvolver o caráter de Cristo e deixarmos a nossa vida de pecado gradativamente. Mas que o primeiro ato de obediência que podemos fazer nas nossas vidas, é nos batizarmos.
Crer em Cristo Jesus tem que nos deixar sedentos por obedece-lo, afinal de contas, não fizemos isso por toda nossa vida até Ele nos encontrar. Mas sabemos que existem muitas lutas contra nossa carne que vamos travar. Então Cristo nos dá algo para que possamos dar o primeiro passo de obediência da nossa fé. Esse algo é o batismo.
Porque o batismo nas águas representa a nossa morte para este mundo e nosso novo nascimento em Cristo Jesus e nada pode marcar mais o nosso arrependimento do que o nosso primeiro ato de obediência. Nossa obediência começa pelo batismo nas águas. Através do nosso primeiro ato de obediência, começamos a construir a nossa prática de obedecer a Deus, para podermos obedecê-lo na obra que Ele, ainda, vai cumprir nas nossas vidas.
A ceia do Senhor também é um ato de obediência. Aquilo que Jesus Cristo ordenou, Ele fez. Jesus Cristo ceou com o seus discípulos. Quando fez isso, Ele disse: “fazei isso, em memória de mim” (1Coríntios 11:24).
Muitas vezes negligenciamos a ceia. Tratamos ela como um ritual e perdemos o temor pela ordenança de Deus. Devemos desejar obedecer a Cristo através da ceia. Não podemos nos tornar indignos da ceia, mas devemos examinar a nossa vida. Entregar nossos pecados nos braços de Jesus e estar em plena comunhão com a nossa igreja. Não é só mais um pão, ou um cálice, mas um ato de obediência ao Deus Altíssimo.
Se obedecermos a Jesus na ceia, teremos discernimento para saber se o desejo do nosso coração, é fruto da nossa natureza pecadora ou é um ato que se limita simplesmente em estar em constante obediência para com aquilo que Deus quer construir na nossa vida.
Aquilo que Jesus Cristo ordenou, Ele fez. Jesus Cristo era Deus, mas não considerou que ser Deus fosse algo que devesse se apegar. Antes, esvaziou-se de si mesmo e veio como um escravo, nascendo de forma humana. Humilhou-se e foi obediente até a sua morte, e morte de Cruz (Filipenses 2:6–8). Jesus Cristo serviu e nos chamou para servir.
A Palavra de Deus vai nos dizer que devemos ser considerados simples servos de Cristo, encarregados de explicar os mistérios de Deus e que, de um servo, só espera que ele seja fiel (1Coríntios 4:1). Fomos chamados para a liberdade, mas não devemos usar, pois, essa liberdade para satisfazermos a vontade da nossa natureza humana, mas para servirmos uns aos outros em amor (Gálatas 5:13).
Se eu não servir na igreja, se eu não servir ao meu irmão, eu não obedeço a Deus. Servir envolve sacrifício, tempo, dedicação e generosidade. Servir nos desgasta e nos faz cansar. Mas cada gota de suor gasto no serviço a Deus e a sua igreja é um ato de obediência que nos vai fazer sermos experientes em obedecer a Deus. Se obedecemos a Deus naquilo que, objetivamente, Jesus Cristo fez, saberemos então discernir o que é obedecer a Deus, na obra específica que Ele quer realizar através das nossas vidas.
Não devemos servir esperando algo em troca. Pelo contrário, devemos servir esperando que ninguém nos reconheça, mas que percebam quando não estamos servindo. É como um corpo. Ninguém percebe quando um membro está funcionando normalmente, mas todo o corpo sente, quando um membro para de funcionar. As pessoas não reconhecem ninguém por um simples membro, mas por todo o seu corpo. Assim, devemos servir, esperando que as pessoas possam reconhecer o corpo por inteiro, que no nosso caso, é Jesus Cristo, o filho de Deus.
Devemos servir, para que, quando não estamos servindo, o corpo sinta falta, pois, somos membros úteis, dentro do corpo de Cristo. Quando servimos assim, obedecemos a Deus e a sua Palavra. Se obedecermos a Deus, servindo, sem que ninguém note, saberemos obedecer a Deus nos sonhos que queremos realizar nas nossas vidas.
Aquilo que Jesus Cristo ordenou, Ele fez.Cristo pregou o evangelho (Matheus 4:17). Na verdade, como o famoso pregador John Piper escreveu em um dos seus livros, Deus é o evangelho. Nós devemos pregar.
A palavra de Deus nos instruí a pregarmos o evangelho e estarmos preparados para pregar quer a ocasião seja favorável ou não, quer em tempo ou fora de tempo (2Timóteo 4:2). Pregar o evangelho é um ato de obediência, que desenvolve a nossa obediência, porque não pregamos o que sabemos, mas o Espírito Santo de Deus fala através de nós pelo seu poder (1Pedro 1:12).
Não tenha vergonha do evangelho. Pregue onde estiver para que as pessoas possam conhecer a Deus e para que você possa caminhar no caminho da obediência.
As Sagradas Escrituras vão nos dizer que a fé sem obras está morta (Tiago 2:26). As obras, então, alimentam a nossa fé. Que as nossas obras, sejam obras de obediência aquilo que Cristo nos ordenou.
Existem vários outros atos e ordenanças que Cristo nos deixou, mas esse artigo quer trazer apenas a consciência de que somos chamados para a obediência. Obedeça a tudo aquilo que Cristo fez, porque o que Jesus Cristo ordenou, Ele fez.
‘Aqueles que aceitam meus mandamentos e lhes obedecem são os que me amam. E, porque me amam, serão amados por meu Pai. E eu também os amarei e me revelarei a cada um deles.” ‘
João 14:21
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