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Antonio Carlos Costa
1 hour ago·2 min read
Há poucos anos, fui convidado para falar num congresso de teologia no exterior. Ao chegar, o organizador do evento, que envolvia as mais diferentes igrejas da cidade, disse o seguinte para mim, “Antonio, o pessoal da agência tal recusou-se a participar da conferência por você ser o preletor”. Ele me falava de uma para-eclesiástica ligada ao conservadorismo protestante norte-americano, que atua no Brasil.
Qual o problema dela comigo? Sou protestante reformado. Não há nada oculto sobre a minha vida, que apenas alguns no país sabem, e que caso venha à tona representará o fim das minhas atividades ministeriais (se soubessem do que se passa pela minha mente, é claro, estaria perdido). Não tenho nenhum vínculo político-partidário, jamais defendi o comunismo, faço oposição aberta ao liberalismo teológico e sou considerado conservador em questões de ética privada.
Em diversos setores do protestantismo americano e brasileiro não há o mínimo espaço -até mesmo para pregadores e teólogos conservadores em teologia-, para quem combate a concentração de riqueza, a exploração da mão de obra da classe trabalhadora, o abuso de autoridade, a desigualdade social, o estado mínimo, a violação de direitos humanos.
Não é que eles não queiram misturar cristianismo com política, uma vez que entre eles há quem apoie abertamente candidato, defenda modelo político-econômico neoliberal e importe para o Brasil a pauta do Partido Republicano. O que eles querem é que prevaleça entre os evangélicos o modelo de sociedade americano. Quem pensar como europeu (ser adepto do Estado de Bem-Estar Social) é tido como comunista.
Se sair na foto comigo, vai perder espaço e dinheiro.
Fundador da ONG Rio de Paz, teólogo e jornalista.



Fundador da ONG Rio de Paz, teólogo e jornalista.

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