Sign in
Antonio Carlos Costa
Just now·9 min read
Recebo, desde 2018, mensagens do Brasil inteiro, enviadas por cristãos evangélicos, que romperam com suas igrejas locais em razão da aliança que seus pastores fizeram com o bolsonarismo.
Há poucos dias, sugeri, pela primeira vez, que os cristãos sem igreja do nosso país fizessem contato comigo a fim caminharmos juntos enquanto não encontram uma igreja para congregar.
Em menos de 24 horas, recebi uma enxurrada de mensagens, que gostaria de compartilhar a fim de mensurarmos o pecado que igrejas, denominações e lideranças evangélicas cometeram contra a igreja de Cristo ao associarem o evangelho de Cristo a Jair Bolsonaro e suas ideias. O que houve é injustificável.
“Quero saber se tem ministério em BH para indicar a minha família. Sou teólogo atualmente estou trabalhando com uma igreja aqui em Lisboa. Ficamos muito chocados. com a forma que a igreja tem agindo desde 2018, se não fosse a graça de Deus e o conhecimento da palavra, nunca mais frequentaríamos uma igreja. Enfrentei o sistema e fui atacado fortemente”.
“Eu e minha esposa tivemos a infelicidade de ouvir um pastor declarar num sermão, em 2018: “graças a Deus que no próximo ano poderemos andar com uma arma na cintura”. Esse foi o dia que percebemos que não cabíamos mais em nossa igreja.”
“Graça e paz a todos os irmãos. Me desliguei da IIGD, igreja na qual fui membro por mais de 15 anos. Confesso que me sinto perdida, sem saber que direção tomar. Tentei frequentar outra igreja, mas se vc não apoiar o Bolsonaro, vc não é de Deus. Enfim…como disse estou me sentindo triste por isso e sem direção. Mas, de uma coisa eu tenho certeza, eu quero seguir ao meu Senhor Jesus Cristo e quando ele voltar, não quero ficar nesse mundo. Me ajuda pastor Antonio Carlos. Como eu gostaria de ter um lugar para congregar. Que dor sinto em meu coração…”.
“Boa noite, também sou presbiteriana. Era muito ativa na igreja, mas desde antes das eleições me desiludi muito com a mistura de igreja e política, e principalmente com o desprezo aos pobres e necessitados. Não frequento a igreja desde janeiro do ano passado.”
“Boa noite, meu nome é R, tenho 33 anos. Sou professor na área de Agronomia e estudante de Teologia na… . Sou cearense, mas moro no Rio Grande do Sul há alguns anos. Sou membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, todavia, eu e minha esposa estamos bem deslocados na igreja, uma vez que a ideologia. política chegou ao púlpito. Abraço. Deus abençoe.”
“Paz do Senhor! Me chamo W, moro em Brasília. Eu, meu esposo e meu filho, estamos indo a uma Igreja, porém, não somos membros. Fomos membros durante muito tempo de um ministério, porém, em 2018, a política assumiu o. lugar do evangelho e desde então ainda não nos reencontramos.”
“Que alegria poder estar por aqui com os irmãos! Sou de João Pessoa. Eu, meu esposo e nossos filhos e minha mãe não frequentamos igreja desde as eleições de 2018. Como se não bastasse, o pastor da igreja que frequentávamos assumiu um cargo na pasta de Damares Alves, e isso foi a gota d’água para saírmos de vez. Mas gostaríamos muito de encontrar uma igreja antifascista para frequentarmos”.
“Olá, nome é G. Sou do Rio de Janeiro. Estou de mudança pra Tijuca e a procura de uma igreja que não seja Bolsonarista. Estou muito revoltado com essa postura da igreja. Indicam algum local na Tijuca?”
“Me afastei da igreja, onde o pastor é muito conhecido. Meu irmão e irmã são assembleianos, iguais a mim. Eu votei em Bolsonaro… Mas quando vi os atos e a face do mal no semblante do presidente e a igreja enaltecendo, eu me afastei. Meus irmãos vão na passeata de 7 de setembro, pois o próprio pastor está convocando. Eles Estão desempregados, eu que tenho ajudado financeiramente. nas contas e compras. Preciso de ajuda e oração porque não estou sabendo lidar com isso. Quando os vi compartilhando, fiquei inconformada . Sei que não devia, pois tenho que respeitar. Mas, o Brasil passando por essa situação econômica, principalmente, financeira e na área da saúde, pergunto como vão pra rua dizer que está tudo bem e que este é o melhor presidente que o Brasil já teve?”
“A sensação que tenho no convívio na igreja é que a condição de não apoiar este governo nos inferioriza… Mas permitam me expor algo que tenho sentido… Parece que por trás de tudo há um intenso agir do inimigo justamente para trazer a divisão da igreja por meio da politica… O inimigo lançou o roteiro e a. “igreja” o aceitou… Quando penso no irmão que me ganhou para Cristo, sou levado a crer que, se no tempo que isso se deu, eu olhasse as postagens dele, acho que não teria aceitado o convite que me fez para voltar aos caminhos do Senhor.
Irmão N, Londrina, Pastor da Assembleia de Deus…”
“Bom dia queridos! Sou pastor batista e confesso que tem sido bem difícil permanecer à frente do ministério devido a toda essa questão política. O desgaste emocional e espiritual tem sido enorme”.
“Bom dia, graça e paz. Sou F., de Niterói-RJ. Me decepcionei muito com a igreja quando percebi o alinhamento com o bolsonarismo e seus valores incompatíveis com tudo que aprendi com Cristo.
Estou tendo muitas dificuldades pra lidar com o fato de que, gente que amo, tem amado mais a política do que a beleza do evangelho.
Estou me preparando pra anunciar meu desligamento da congregação que amo. Não consigo lidar com tamanha incoerência e manipulação”.
“Tentamos até abrir uma igreja com um pastor aqui, mas não deu certo, só durou pra minha família 6 meses. O pastor é contra o uso de máscara e declarou que não tomaria vacina. Foi complicado, pois o meu marido é novo convertido, e está revoltado com esse pastor.
O pastor me chamou de comunista por não concordar com esse governo. Queria fazer uma pergunta: é errado a gente ser contra esse governo? Pois ele disse que se a gente é contra a gente tá sendo contra Deus, pois toda autoridade é constituída por Deus.
Vou ser sincera, sinto que estão usando isso para nos conformar com esse governo.”
“Eu cantava na igreja e Deus era comigo, pois as pessoas eram tocadas. Digo isso, pq muitos vinham falar cmg no final do culto, sobre como estavam e como ficaram, após o louvor.
Sou assembleiano raiz e minha esposa presbiteriana raiz, porém, congregando comigo na Bleia. Dps q este anticristo assumiu e corrompeu igrejas e famílias fomos colocados de lado. Na igreja, apesar de me tratarem “bem”, sou o comunista da igreja.
Estamos sem espaço e desconfortáveis, e aqui na cidade não vemos onde podemos estar.”
“A paz, amados! Eu me chamo C, sou de Salvador, mas moro em Monteiro/Pb. Sou muito grata a Deus pela oportunidade de estar com os irmãos que têm passado pelas mesmas aflições.”
“Eu abdiquei de ser presbítero na igreja justamente devido à postura que, infelizmente, a minha pequena congregação assumiu. Boa parte não quis se vacinar, e participa dessas manifestações pró Bolsonaro. Nunca pensei que visualizaria isso dentro da Igreja Presbiteriana do Brasil. O ápice foi numa EBD cujo tema era o cristão e a política. Disseram que não era bíblico um sistema de educação pública, pois o Estado formata a cabeça dos seus filhos. Eu, como professor federal, sinceramente, me senti ofendido.”
“Sou a C, moro em Inhumas-Go, eu e meu esposo estamos sem congregar por pelas mesmas razões já citadas. Sou professora da rede pública e cada vez que falavam que a escola estava doutrinando, ensinando sobre ideologia de gênero, me sentia indignada. Ver a igreja defender um governo que apoia a tortura, a discriminação, o preconceito, é inaceitável para um verdadeiro cristão.”
“Meu nome é R, faço parte de uma pequena igreja em São Caetano do Sul/SP. Meu sogro e esposo são pastores. Graças a Deus, conscientes. Não se dobraram ou venderam aos desmandos desse governo. Apesar disso, nos sentimos muitas vezes sozinhos. Muitos irmãos saíram da congregação por simpatizarem com os radicais. Outros, percebemos, continuam, mas possuem o pensamento associado ao Bolsonarismo”.
“Eu também me sentia assim.
Fiz parte da Igreja Presbiteriana, em Rio Doce, Olinda, Pernambuco, por 25 anos. Nunca vi um movimento tão. destruidor na minha vida cristã. Me decepcionei muito com tudo que aconteceu nessas eleições, sempre me posicionei contra as lideranças que apoiaram o golpe e esse governo da mentira, pois foram os principais causadores dessa divisão nas igrejas e nas famílias. Faz quase 2 anos que não frequento igreja nenhuma.
Tenho me alimentado da palavra através dos pastores que não se curvaram a esse sistema demoníaco. Hoje, louvo a Deus pela vida desses pastores que estão fazendo a diferença na vida dos cristãos de fato. Parabéns, pastor Antonio Carlos, sempre admirei o seu trabalho junto as comunidades carentes. Parabéns por abraçar essa causa. É muito bom saber que não estamos sós. Nossas orações foram e serão ouvidas, e Deus mudará a história do povo que ele ama e cuida. Meu nome é R. e estou muito feliz em fazer parte dessa nova comunidade cristã.”
“Na igreja da minha vozinha foi a mesma coisa. Ao ponto de uma “amiga” dela dizer que ela ia morrer de covid, por ela estar contra esse homem, portanto, contra Deus. Isso porque a minha vó também alertava às pessoas a pararem de adorar esse homem na igreja. Essa foi a resposta que ela levou. Ficamos horrorizadas.”
“Olá! Meu nome é C. e sou do Rio de Janeiro. Para mim também é um grande conforto estar nesse grupo de pessoas, pois passei momentos muito difíceis com o que presenciei na minha antiga igreja. Chorei muito no domingo, dia da eleição. Parecia que eu era a única a enxergar a loucura de estarem colocando esse homem em cima do púlpito, que deveria ser lugar exclusivo de Jesus.
Chegou ao ponto de eu ser chamada de rebelde por tentar alertar aos líderes que a igreja precisava parar de adorar esse homem.
Eu fiquei o quanto pude lá. Depois disso, não tive mais forças e passei a assistir a alguns cultos online.
Aí veio também a pandemia, o que reforçou mais esse hábito. Encontrei os cultos do pastor Antônio Carlos.
Inclusive, foi uma prima, que nem é da igreja, quem viu alguns vídeos do pastor falando sobre o momento atual e me marcou, sabendo dessa minha angústia. E ela, que nem é da igreja, estava horrorizada com as atitudes das pessoas que se diziam Cristãs.
Sou nascida e criada na igreja, já vi muitas coisas, mas nada como o que estamos passando hoje. Acredito que essa será uma grande ruptura nas igrejas brasileiras. Fim dos tempos mesmo.”
“Desde 2015, as coisas começaram a ficar estranhas na igreja, não nasci na igreja, me converti em 2009, mas percebi que os ares estavam diferentes. Toda aquela paz, democracia e respeito às diferenças na Igreja Presbiteriana do Brasil foi desaparecendo.
Os livros usados na EBD só falavam de Lei, de capitalismo, de Estado Mínimo, achei estranho, mas fui levando. Em 2018, antes das eleições, o pastor deu o púlpito para uma irmã advogada falar sobre as ameaças de gênero da igreja, mostrou o famigerado e falso kit gay, dizendo que ele estava nas escolas. Mentiu no púlpito. Sou professora há vinte e um anos, e viajo o Brasil inteiro nas visitando universidades, e em contato com professores, uma vez que sou professora, pesquisadora e Doutoranda em educação.
Utilizaram, em diversos momentos, a igreja para disseminar notícias falsas. O Deus que conheci não tolera mentira… Sempre acreditei que a Igreja Presbiteriana do Brasil, os calvinistas, seguiam uma fé racional, e não aquele arremedo de fé que me era apresentado.
Me afastei, sumi por nove longos meses, não recebi nenhuma mensagem ou visita pastoral. Depois de todo esse tempo, o pastor veio na minha casa, expus os problemas, e ele minimizou todos, declarando que eu deveria perdoar, sem fazer nenhuma autocrítica.
Voltei a frequentar esporadicamente, pois tenho filhos e sempre achei importante o contato com a igreja. Depois veio a pandemia, e nunca mais apareci. Aqui em casa somos todos do grupo de risco, inclusive as crianças. Nesse período nenhum telefonema, nenhuma mensagem, percebi que realmente não sou bem vinda, não estou nos padrões deles.
Nesses anos, sofri muito, pedi entendimento para Deus, a fim de saber se eu estava errada, como diziam. Orei pelo pastor, pela igreja, para Deus tirar essa venda deles, mas continuo sem existir para eles. Sinto falta da santa ceia, e da comunhão, que sei que não voltará nesse país insano. Que Deus abençoe o pastor e seu filho, por olharem para nós, as ovelhas perdidas, os filhos pródigos. Muito obrigada.”
Fundador da ONG Rio de Paz, teólogo e jornalista.
Fundador da ONG Rio de Paz, teólogo e jornalista.

source