Chega um determinado tempo na nossa jornada cristã que parece que nunca vamos conseguir nos desapegar de certos pecados. Alguns os chamam de pecados de estimação, e de fato são. São aquelas coisas que não imaginamos um dia deixar de praticar, embora às vezes nós lutamos contra elas e afirmamos em oração que nunca mais tornaremos a praticá-las novamente. De fato é muito doloroso quando o Espírito Santo nos convence sobre esses erros, e nós, sendo convencidos por Ele, pedimos perdão a Deus e solicitamos que aquele pecado seja lançado no mais profundo do mar do Seu esquecimento. Mas quando temos a oportunidade caímos, tornamos a pedir perdão, e esse ciclo de cair-pedir perdão se mantém por longos períodos, até que nos tornamos insensíveis e achamos que pecar é algo totalmente normal, chegando muitas vezes a justificarmos verbalmente os nossos erros, mesmo a verdade reveladora do nosso Senhor nos confrontando dentro da nossa consciência e do nosso espírito.

Quando nós chegamos a esse nível de decadência espiritual, pensamos que somos um caso totalmente perdido, e as acusações do inimigo na nossa alma começam a pesar tanto na nossa consciência que nos achamos indignos de nos apresentarmos diante do Pai e pedir mais uma vez o Seu perdão. Nos esquecemos que há uma fonte inesgotável de perdão Nele, por isso deixamos de buscar reconciliação e cada vez caminhamos a passos grandes, rumo a uma vida distante daquela que o Criador sonhou para nós. Mas são em momentos assim que Deus nos faz provar do Seu amor incondicional e nos dá lente para enxergarmos que somos como o filho pródigo, que, ansiando pelas coisas do mundo e deixando que as paixões da carne o dominassem, quando caiu em si, voltou ao seu lar e conseguiu reconciliação com o seu pai. 

E é dessa forma que as coisas se dão com o nosso Deus, não importa quantas vezes caímos, se ainda estamos vivos, há graça sobre nós, graça suficiente para sermos perdoados e seguirmos a nossa jornada, por isso temos que ser conscientes de que, se pecarmos, não devemos deixar de buscar o perdão, pois sempre há uma chance de transformação da nossa natureza em Cristo.

Tu és bondoso e perdoador, Senhor,

rico em graça

para com todos os que te invocam.

Salmos 86:5

Mas também é de fato importante lembrar que, quando pedimos perdão de um pecado, precisamos tomar consciência de não cometê-lo novamente. Porém, se não pedirmos ajuda para o espírito, para que ele venha e nos ajude a resistir ao pecado na hora da tentação e optarmos por fazer isso com nossas próprias forças, certamente iremos cair nele novamente.

Relato isso porque vejo que essa situação acontece com uma certa frequência e tem feito da essa geração uma geração cheia de culpa, enganada pelas mentiras de satanás de que somos um caso perdido, e isso tem feito com que muitos se afastem dos caminhos do Senhor. 

“Sou eu, eu mesmo, aquele que apaga

suas transgressões, por amor de mim,

e que não se lembra mais

de seus pecados.

Isaías 43:25

Existe muitas pessoas que, mesmo procurando justificativa para os seus pecados, são confrontadas pela verdade dentro de si. Porém, são tomadas pela indisposição que têm em buscar conserto com Deus, aliada com as acusações de satanás, têm se achado um caso perdido e estão vivendo uma vida diferente daquela que Deus quer que vivamos.

Mas vale reiterar: ainda há graça, busquemos a Cristo enquanto O podemos achar. Ele já resolveu o nosso maior problema, a saber, a nossa necessidade de salvação.