’Em seguida, tomou um pão, deu graças a Deus na presença de todos, partiu-o em pedaços e comeu. ‘
Atos 27:35
A Palavra de Deus é bem clara sobre o nosso dever de sermos gratos em qualquer circunstância (1Tessalonicenses 5:18). Todo cristão já deve ter ouvido centenas de sermões sobre como é importante sermos gratos por tudo o que Deus nos deu.
Na verdade, a própria filosofia humana já reconheceu que a gratidão é uma poderosa arma contra as tristezas da vida. Uma pessoa grata tem mais chances de ser uma pessoa feliz.
Mas esse artigo quer refletir sobre um aspecto da gratidão que podemos encontrar nas Escrituras Sagradas e que, muitas vezes, não é reconhecido.
A gratidão prega o evangelho.
‘Disse ele: “Senhores, se prosseguirmos, vejo que teremos problemas adiante. Haverá grande prejuízo para o navio e para a carga, e perigo para nossa vida”. ‘
Atos 27:10
Para entendermos como a nossa gratidão pode pregar as boas novas de Cristo Jesus, vamos olhar para a vida do Apóstolo Paulo. O versículo acima se encontra em um episódio onde Paulo tinha sido preso injustamente por pregar o evangelho (Atos 22:24).
Por causa de uma série de circunstâncias, Paulo é enviado como prisioneiro para Roma. Na embarcação que Paulo estava, estavam presentes vários outros prisioneiros que estavam pagando pelos seus crimes, os oficiais que mantinham esses prisioneiros sobre vigilância e os marinheiros que guiavam a embarcação (Atos 27:1–2).
No meio da viagem, Paulo percebe que as condições climáticas não eram favoráveis e então aconselha os oficiais a passarem o inverno no porto que estavam ancorados (Atos 27:9–10). Os oficiais não quiseram ouvir os conselhos de Paulo e então a embarcação partiu para Fenice (Atos 27:11–12).
Aquilo que Paulo tinha dito aconteceu. A embarcação entrou em uma grande tempestade, que trouxe grande avaria para a embarcação (Atos 27:14–15). Os tripulantes começaram a jogar as cargas no mar, e até parte do equipamento de navegação, para aliviar o peso do navio (Atos 27:18–19).
A tempestade durou por muitos dias ao ponto de todos perderem as esperanças. O medo assolava toda a embarcação ao ponto de nenhum deles conseguirem comer (Atos 27:20–21). Para piorar, em uma atitude de traição e falta de amor, os marinheiros tentam baixar o barco salva-vidas escondido para salvar suas próprias vidas e deixar o resto da tribulação, oficiais e prisioneiros, a deriva no navio (Atos 27:30).
No fim, para impedi-los, os oficiais cortaram os barcos salva-vidas do navio e deixaram o navio sem o seu último recurso de esperança, para que alguém se salvasse (Atos 27:32).
Nesse momento, o cenário que a embarcação se encontrava era de pessoas sem esperanças, que não podiam confiar umas às outras, estavam com medo e famintas, porque há muito tempo não comiam. Era um cenário desesperador, um cenário de tristeza, ódio e morte.
Se olharmos para o contexto de Paulo, essa situação consegue ficar ainda pior. Ele estava lá injustamente, por pregar salvação para a humanidade. Além disso, ele tinha alertado a todos de não continuarem a viagem e foi ignorado. Paulo viu a traição dos marinheiros, estava sendo mantido preso pelos oficiais e estava no meio de criminosos.
Mas no meio desse contexto todo, Paulo, ao invés de se deixar consumir por toda essa dor, toda essa injustiça e por toda essa falta de esperança, ele faz o que está descrito no primeiro versículo deste artigo.
Ele se preocupa com cada um dos tripulantes daquela embarcação, insiste que eles deviam comer (Atos 27:34), pega um pão e dá graças a Deus na presença de todos (Atos 27:35). Paulo não agradece a Deus em seu íntimo, ele faz questão de fazer isso na frente de todos os tripulantes.
É em momentos assim, que a nossa gratidão revela o evangelho. Por que Paulo tinha todos os motivos do mundo para se queixar com Deus. Ele estava lá por uma injustiça. Ele estava naquela situação por causa das pessoas que não confiaram nele. Ele estava em uma situação sem esperança, sem amor e sem vida.
Mesmo assim, ele encontra um pão. E na frente de todos ele agradece a Deus por um único pão. Isso deve ter confundido a cabeça de todos naquele lugar. Como alguém tão injustiçado, tão sofrido, tão perdido, pode, mesmo assim, ser grato a Deus.
Um dos detalhes mais intrigantes dessa história é que aquele alimento foi provisionado pelo governo de Roma. Ele não apareceu milagrosamente naquele navio, ele já estava lá. Mas Paulo nos ensina que mesmo se a situação estiver sem esperança e mesmo que o mundo tente nos enganar sobre de onde vem a nossa provisão, em tudo temos que dar graças a Deus (1Tessalonicenses 5:18).
O resultado dessa atitude de Paulo é gloriosa. Todos se animaram e começaram a comer (Atos 27:36). Por causa da gratidão de Paulo, houve salvação. Por causa da gratidão de Paulo, o evangelho foi pregado.
Muitas vezes somos gratos por tudo o que Deus tem feito em nossas vidas, mas nos esquecemos de mostrar a nossa gratidão para as pessoas. Nossa gratidão pode salvar vidas.
Outras vezes, parece que estamos em uma embarcação que está afundando, e nos esquecemos que, um único pão, já deve ser o motivo da nossa gratidão. Essa gratidão prega o evangelho.
Que possamos nos tornar pregadores que pregam o evangelho através da nossa gratidão.
‘Deem graças ao Senhor , porque ele é bom; seu amor dura para sempre! ‘
1Crônicas 16:34
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