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Antonio Carlos Costa
Just now·3 min read
Levarei amanhã às 10h30 para o púlpito da Igreja Presbiteriana da Barra minha última mensagem como pastor titular da igreja. Após 35 anos de trabalho, entre plantação e pastoreio, estou certo de que devo abrir mão desse tipo de relação que mantenho com os irmãos a quem tanto amo. A partir de janeiro de 2022, estarei à disposição da igreja para servi-la no púlpito, nas suas conferências e como conselheiro.
Os motivos que me levaram a tomar a decisão foram os seguintes: Primeiro, não conseguir conceder à igreja a atenção que um pastor titular deve dar aos que lhe foram confiados por Deus.
A segunda razão tem a ver com o meu trabalho de ativista, que me leva a publicamente fazer e dizer coisas que não são da concordância de todos. Não creio que encontre igreja ou denominação no país nas quais não tivesse que enfrentar esse tipo de problema.
Eu também vinha me sentindo muito sobrecarregado por estar dedicado a grande quantidade de tarefas fora do âmbito da igreja local, que tornaram fardo pesado o concomitante serviço de pastor-titular.
O que tenciono fazer do meu ministério a partir de agora? Penso em me dedicar, se aprouver a Deus, às seguintes tarefas:
. Realizar manifestações públicas
suprapartidárias que tenham como objetivo denunciar injustiças, propor políticas públicas e fomentar uma cultura de respeito à santidade da vida humana;
. Levar socorro aos necessitados;
. Fazer matérias jornalísticas com foco nos direitos humanos;
. Oferecer cursos onlines;
. Usar extensamente as redes sociais;
. Escrever livros;
. Pregar online em tempo real nos cultos da Rede de Pequenas Igrejas;
. Falar em congressos de teologia;
. Proclamar o evangelho o tempo todo até o último minuto da minha vida. A minha principal vocação continua sendo falar de Cristo. Foi essa passagem que o Espírito Santo me mostrou, no quarto de empregada doméstica da casa dos meus pais, quando me converti, e que se tornou o maior vetor da minha existência: “Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz” (Jo 1:8).
Continuo calvinista. Nada foi subtraído da minha teologia nesses últimos anos, muito embora meus pressupostos reformados, em razão do contato com o mundo real no qual pessoas são moídas pela injustiça cultural e estrutural, tenham me levado para uma espécie de vida e compromissos éticos que nem sempre fizeram parte da minha vida.
Acima de tudo, sou cristão em estado de crescente encanto por Cristo e o seu evangelho. A maior certeza da minha vida é que “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores” (Rm 5: 8); por isso, assim quero viver: “…para que sejam irrepreensíveis e puros, filhos de Deus inculpáveis no meio de uma geração pervertida e corrupta, na qual vocês brilham como luzeiros no mundo…” (Fp 3:15).
A partir de agora, espero ser visto e tratado apenas como Antônio, discípulo de Cristo.
Fundador da ONG Rio de Paz, teólogo e jornalista.



Fundador da ONG Rio de Paz, teólogo e jornalista.

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