Há um certo tempo, venho pensando sobre diversas situações, principalmente aquelas que não dão certo em um específico momento da nossa vida.

Sabe aquela vaga de emprego que parecia estar aberta, mas nunca se abre? Aquela viagem dos sonhos, tão perto de se concretizar, mas, por causa de um mero detalhe, não pôde acontecer. O sonho de adquirir um carro, que teve de ser adiado por falta de aquisição. Aquela relação que terminou antes mesmo de começar. Tentativas frustradas. Sonhos adiados ou cancelados. Planos que não deram certo.

Diante disso tudo, nós questionamos : por que não deu certo, Senhor? Por que aquele emprego não deu certo? Por que a viagem não deu certo? Por que o namoro não deu certo? Por que eu não fui chamado (a)? Por que, por que, por quê?

A polêmica cura do cego

João 9.1-41 conta a história de um cego de nascença, e nesse texto aparecem diversas perguntas dos religiosos e discípulos de Jesus sobre o cego, sua cura e quem a realizou. Perguntas como aquelas que vêm à nossa mente quando as coisas não dão certo.

O primeiro questionamento que fazemos é: existe motivo para tudo isso que eu estou passando? Esse foi o questionamento que os discípulos fizeram a Jesus sobre a cegueira daquele homem. Nessa época, os judeus achavam erroneamente que toda desgraça representava uma punição de Deus a algum pecado.

Infelizmente, muitos acham isso até os dias de hoje, e que tudo que acontece conosco é por causa de pecado. Outros pensam que, se não fizerem nada de errado, estarão isentos aos problemas da vida. Porém sabemos que nada disso é de fato verdade. 

Quem é o culpado?

O segundo questionamento que aparece implícito na história é ‘quem é o culpado?’. Apesar da cura milagrosa, os questionamentos sobre a cura do cego continuavam. Nos versos 8 e 10-12 diz que os vizinhos e os que o tinham visto mendigando questionaram a cura. Eles queriam saber quem tinha curado aquele homem.

Assim como os questionamentos foram feitos sobre a cura do cego, muitas vezes nós temos a tendência de querer achar culpado para tudo e todos. Foi assim no Éden (Gênesis 3.11-13) quando Adão culpou Eva, e Eva culpou a serpente. Sempre buscamos culpados para tudo em nossa vida. Buscamos na esposa, nos amigos, no diabo, no marido, nos filhos, na igreja a culpa dos nossos problemas.

Por que Deus não impediu?

O terceiro que pode vir diante de fatalidades ou situações que não gostaríamos que acontecessem é: por que Deus não fez algo para impedir? Na história descrita em João 9.13-34, os religiosos questionam a maneira como aconteceu a cura, por ser sábado e por Jesus ser para eles um homem pecador. Também levantaram outra polêmica, desta vez, em relação à veracidade da cura, se não houvera engano, manipulação. Pois como um homem pecador poderia realizar milagres?

Há quem ache que tudo acontece porque falharam na busca a Deus em relação ao que tanto queriam, por isso não aconteceu. E chegam a pensar que Deus não atende pecadores, dizendo: “Ele não me atende desse jeito que estou vivendo”.

O que fazer ou pensar?

Eis a questão : se todas esses questionamentos não são a melhor maneira de pensar quando as coisas não dão certo, então, o que fazer ou pensar?

João 9.35-41  pode responder nossa pergunta. O versículo diz que Jesus se encontrou novamente com aquele homem que era cego e viu que a fé dele havia progredido. Antes, um homem que não tinha a mínima ideia de quem era Jesus, agora, já tem compreensão. Os versos 37 e 38 mostram que o ex-cego entende e confessa, crê e adora a Jesus como Cristo, ou seja, como Deus da vida dele, seu Salvador.

Diante disso, o que Deus nos mostra é que, quando os questionamentos aparecerem – e eles podem vir quando as coisas não derem certo -, procure confessá-los a Deus, continue crendo Nele, adore-O sempre, independentemente das coisas darem certo ou não. Pois o que nos sustenta não são os milagres, as respostas, conquistas; Deus, que permanece sempre Deus, cuidará de cada um de nós dia após dia.