R ecentemente eu tive o privilégio de pregar em uma série de mensagem que se chamava Anônimos. Esse tema tem, entre outras coisas, a mensagem de que, não importa quão incrível seja a capacidade de uma pessoa, ou quão grandes tenham sido as suas obras aqui na terra, sempre vão existir pessoas anônimas, que ninguém vai conhecer, mas que foram fundamentais para que tais pessoas pudessem alcançar o que elas alcançaram. Resumidamente, uma das mensagens que esse tema nos entrega é que ninguém consegue nada sozinho.
As Sagradas Escrituras revelam isso claramente do início ao fim. Já no momento da criação, Deus olhava para o homem e dizia “não é bom que o homem esteja só” (Gênesis 2:18).
Mas, antes do homem deixar de estar só, Deus deu uma obra para ele realizar: Cultivar o jardim do Éden e colocar o nome nos animais (Gênesis 2:19).
Então o Deus fez o homem cair em um sono profundo e lhe deu alguém que o completasse, que o ajudasse na obra que Ele mesmo o tinha colocado (Gênesis 2:21).
Deus nos ensina, já desde o início, que a obra que Ele quer completar na nossa vida, não pode ser feita se andarmos sós. A Palavra de Deus nos diz isso diretamente quando diz que “é melhor serem dois que um, pois um ajuda o outro a alcançar o sucesso” (Eclesiastes 4:3). O velho ditado já dizia que sozinho você pode ir até mais rápido, mas com boas companhias você vai mais longe.
Este artigo tem o propósito de nos ensinar que não nascemos para viver na solidão através da história de um homem. Um homem anônimo que muitos até já ouviram falar, mas pouco meditaram sobre sua vida. Esse homem foi fundamental na vida de um grande herói da fé chamado Moisés, o maior líder do povo de Deus.
Esse homem é tão anônimo que existe uma discussão sobre o seu verdadeiro nome. A palavra de Deus vai nos dar dois nomes, um deles é Reuel e outro é Jetro. Nós consideramos que Reuel seria o seu nome verdadeiro e Jetro seria um título de honra dado à Reuel e o seu significado seria “superior” ou “Sua excelência” (Raciocínio Cristão).
‘O sacerdote de Midiã tinha sete filhas, que foram ao poço tirar água e encher os bebedouros para o rebanho de seu pai. ‘
Êxodo 2:16
Nós não vamos entrar em detalhes da história de Moisés. Essa história está descrita ao longo de todo o livro de Êxodo. Mas resumindo, Moisés é um israelita que cresceu dentro da família do egípcia do Faraó. A Palavra de Deus vai dizer que ele foi ensinado com toda a ciência e conhecimento dos egípcios (Atos 7:22). Mas um dia ele comete um assassinato (Êxodo 2:12) e por conta disso faraó, ao descobrir, busca matá-lo (Êxodo 2:15). Então Moisés foge e vai morar no deserto de Midiã.
Então, Moisés conhece Reuel (ou Jetro), e a Palavra de Deus nos conta um pouco sobre esse homem que Moisés encontrou (Êxodo 2:21).
A primeira coisa que a Palavra de Deus fala sobre Jetro, antes mesmo de dizer o seu nome, é que ele era sacerdote em Midiã (Êxodo 2:16). Mas um fato que precisamos enfatizar, era que Jetro era sacerdote antes da lei sacerdotal. Foi Moisés, muito tempo depois, que Deus usou para construir a lei de que o povo de Deus deveria ter sacerdotes e o que esses sacerdotes deviam fazer (Levítico 21).
Então precisamos entender como Jetro conseguiu ser sacerdote, antes de existirem sacerdotes. Para isso, nós vamos olhar para um outro sacerdote que também veio antes da lei. Esse sacerdote se chama Melquisedeque e ele aparece muito antes de Jetro (Gênesis 14:18–19).
Assim como Jetro, Melquisedeque era sacerdote antes mesmo de existir uma lei sacerdotal para o povo de Deus. Mais impressionante ainda, era que Melquisedeque era sacerdote antes mesmo de existir o povo de Deus, na época de Abraão. No novo testamento, o autor de Hebreus vai dizer no fim do capítulo 6, que Jesus Cristo se tornou o nosso eterno Sumo Sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque (Hebreus 6:20). Porque Melquisedeque não era sacerdote pela lei, mas pelo seu amor e sua devoção ao Deus Altíssimo.
Assim, também, é o caso de Jetro. Ele era sacerdote, não pela lei, mas pelo seu amor a Deus e isso se confirma quando nós descobrimos que a tradução do seu nome, Reuel, significa, no Hebraico, “amigo de Deus”.
Isso teve uma importância fundamental na vida de Moisés. Se nós olharmos para o contexto da vida de Moisés, nós vamos perceber que Moisés foi criado no meio do povo egípcio. Ensinado na cultura, na religião e nos costumes egípcios. Por mais que ele soubesse suas origens hebraicas, o povo hebreu, naquela época, era um povo que tinha ficado 400 anos escravizados por um povo pagão (Atos 7:6). Eles não tinham ainda as Sagradas Escrituras, eles não tinham a lei. A única coisa que eles tinham era a lembrança da promessa que tinha sido feita a seus patriarcas Abraão, Isaque e Jacó. Mas eles não conheciam a Deus, eles não eram ensinados sobre Deus. Moisés, nasceu no meio dessa geração.
Então, no deserto, Deus faz Moisés encontrar alguém que vivia algo totalmente diferente. Alguém que era amigo de Deus, alguém se relacionava com Deus. Não por causa da lei, não por causa da religião, mas por causa do seu amor ao Deus Altíssimo. No palácio do faraó Moisés estava sozinho. No deserto ele estava com os amigos do próprio Deus.
Muitas vezes nós vamos olhar para algumas companhias na nossa vida e, podemos até achar que com elas você tem mais oportunidades, mais prosperidade, tudo do bom e do melhor desse mundo. Mas essas amizades não são os amigos de Deus.
Outras vezes vamos olhar para a igreja, e ela vai parecer como o deserto. Sem nada para oferecer. Mas que, na verdade, lá encontraremos os amigos de Deus, e somente ao lado deles que Deus vai cumprir a obra que ele tem para cumprir na nossa vida.
‘A cada um de nós, porém, ele concedeu uma dádiva, por meio da generosidade de Cristo. ‘
Efésios 4:7
A Palavra de Deus vai nos dizer que Deus deu a cada um uma dádiva (Efésios 4:7). Cada um de nós fomos chamados para uma obra específica de Deus em sua igreja, mas que nós não vamos realizá-la sozinhos. Deus vai colocar os amigos Dele ao nosso lado para nos auxiliar.
Algumas vezes, por causa de inúmeras decepções, nós começamos acreditar que andar sozinho é o melhor caminho. Existe um ditado que diz, melhor andar só do que mal acompanhado. Mas segundo a ótica das Sagradas Escrituras, não é da vontade de Deus que andemos só e nem mal acompanhados.
Deus não deixou Adão sozinho, como também não deixou Moisés. Deus levou até eles a companhia que Ele queria para a sua obra ser feita através de suas vidas. Devemos crer na Palavra de Deus de que nós não nascemos para andar sozinhos. Nós não nascemos para a solidão.
‘Se você seguir esse conselho, e se Deus assim lhe ordenar, poderá suportar as pressões, e todo este povo voltará para casa em paz.” ‘
Êxodo 18:23
Existe um outro episódio na vida de Moisés, que o Espírito Santo quer usar nas Sagradas Escrituras, para nos ensinar através da vida de Jetro.
Um dia, Jetro da um conselho para Moisés (Êxodo 18:13–24). Moisés passa o dia todo julgando todos os problemas do povo. Isso, obviamente, era algo insalubre e improdutivo para o bom cuidado que Moisés deveria ter com o povo de Israel.
Jetro, então, aconselha Moisés a separar líderes que o ajudem a cuidar de todo povo. Dividindo o povo em grupos de mil, cem, cinquenta e dez pessoas. O conselho é bem visto aos olhos de Moisés e ele começa a agir dessa maneira.
Mas o detalhe que o Espírito Santo quer nos ensinar com essa passagem é que Moisés era alguém que falava com Deus. O povo levava os seus problemas para Moisés porque reconhecia que apenas Moisés tinha um contato direto com o Pai Eterno (Êxodo 18:15). Desde a sarça ardente (Êxodo 3:4), até o último dia de sua vida (Deuteronômio 34:4), o Senhor Deus falou com Moisés.
Só que em um momento onde Moisés estava liderando o próprio povo de Deus de maneira errada, não foi Deus que diretamente disse para Moisés o que ele devia fazer.
Talvez essa forma de pensar não esteja totalmente certa. Se olharmos as ultimas palavras de Jetro para Moisés ele diz: “se seguir esses conselhos e se Deus assim lhe ordenar…” (Êxodo 18:23). Na verdade Deus não ficou em silêncio enquanto Moisés conduzia mal o seu povo. Deus, usou Jetro, para falar com Moisés, sobre como o povo deveria ser conduzido.
O que aprendemos com essa história na vida de Jetro é que, por mais que você tenha uma vida devocional cheia de intimidade com Deus, por mais que você fale com o Espírito Santo constantemente, é da vontade Deus, também, usar pessoas para falar com você.
Isso por que temos um Deus que é infinito (Salmos 147:5) e também é amor (1 João 4:8). E por causa disso ele quer demonstrar o seu amor de infinitas formas. Ele não se resumi em demonstrar o seu amor em um relacionamento pessoal e individual.
Ele quer te amar no individual e Ele também quer te amar no coletivo. Ele quer te amar através do seu Espírito Santo que habita dentro de você e também quer te amar através de pessoas que Ele vai colocar na sua vida para demonstrar esse amor.
Existem coisas que Deus não vai falar com você no secreto, Ele vai falar através daqueles que ele colocou ao seu lado para te aconselhar, exortar e amar. Dentro do evangelho de Cristo, a solidão não é uma opção.
Não fomos chamados para vivermos a sós. Mas, muitas vezes, as pessoas que Deus colocou na nossa vida podem nos decepcionar. Somos humanos, nascidos no pecado, temos uma natureza humana que deseja fazer o oposto do Espírito Santo (Gálatas 5:17) e ainda estamos desenvolvendo Cristo nas nossas vidas (Gálatas 4:19).
Não deixe que as decepções com as pessoas a sua volta paralise a obra de Deus em sua vida. Mas também não desista dos seus irmãos em Cristo. Lembre-se, Jesus não desistiu deles e também não desistiu de você. Mas Ele se entregou pela sua igreja, “a fim de torná-la santa, purificando-a ao lavá-la com água por meio da palavra. Assim o fez para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha, ruga ou qualquer outro defeito, mas santa e sem culpa” (Efésios 5:26–27).
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