“Como nuvens e ventos que não trazem chuva, assim é o homem que se gaba de dádivas que não fez” (Pv 25.14).

A gabolice é uma atitude mísera e deplorável. O gabola é o indivíduo que tem necessidade de contar vantagem sobre si mesmo. Está sempre elevando suas próprias virtudes. Sempre contando suas realizações com o intuito de receber o aplauso dos homens. Sempre ostentando suas dádivas bondosas. Sempre realçando as suas palavras, colocando-se num lugar de glória que jamais foi merecedor. A gabolice, também, pode ser sinalizada quando o indivíduo camufla o seu complexo de inferioridade usando a máscara do complexo de superioridade. Se alguém tem a constante necessidade de se autoafirmar, contando casos onde ele sempre é o herói ou tem necessidade de contar seus feitos, suas obras, seu desempenho e sua desenvoltura, com o propósito de alimentar seu próprio ego, demonstra ser uma pessoa certamente imatura.

Provérbios 27:2
Seja outra pessoa quem te elogie, e não a tua boca; um estranho e não tuas próprias palavras!

O texto expõe que o homem que se gaba de feitos que não fez é uma farsa, um embuste, uma nuvem falaz. Troveja e relampeja suas obras generosas sem as ter praticado. As suas palavras parecem nuvens carregadas de chuvas benfazejas. Porém, todos esses relatórios de benemerências não passam de mentiras deslavadas. Seu palavreado bondoso são nuvens passageiras que vêm e vão sem deixar cair sequer uma gota de compaixão sobre os necessitados. O gabola é um mentiroso. Não merece ter confiança e suas palavras. É pródigo de bondade apenas nos lábios, porém suas mãos nunca se estendem para socorrer o aflito. Sua bondade é uma miragem. Seus feitos de misericórdia são uma ficção. Suas promessas são uma frustração. O gabola é como nuvem passageira, como vento uivante que não produz chuva por onde passa.

Jesus nos ensina a termos compaixão, mas com decência, sem fazer promoção de nossas obras. Oferecer esmola e depois tocar uma trombeta, jejuar e depois fazer propaganda de sua espiritualidade é uma atitude torpe. Orar de pé com o fim de ser observado pelos homens e depois ostentar diante de Deus suas virtudes espirituais, não passa de indisfarçável hipocrisia. Há um pensamento popular que diz que “lata vazia é que faz barulho”. Quem realmente é não precisa fazer propaganda de si mesmo. O autoelogio é uma atitude inconveniente para um cristão maduro. Bater palmas para si mesmo e colocar-se acima dos outros é uma evidência eloquente de consumada imaturidade.

A Palavra de Deus enfatiza que Deus dá graça aos humildes, mas resiste aos soberbos de coração. A bem-aventurança não está na arrogância espiritual, mas na singeleza de coração. Jesus ensinou: “Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus”. Os humildes de espírito são aqueles que têm plena consciência de sua pobreza. Sabem que nada têm para reivindicar qualquer direito diante de Deus. Chegam à presença de Deus conscientes de sua total falência e carentes da graça. Esses são felizes, e a esses pertence o reino dos céus. Entretanto, os arrogantes, cheios de si, que ostentam suas pretensas virtudes, são despedidos vazios e não são justificados diante de Deus.

Deus nos livre da soberba! Que o nosso coração fuja da sedução enganadora da gabolice! Que o nosso coração se humilhe sob a onipotente mão de Deus, e que não sejam nossos próprios lábios que nos exaltem! É tempo de sermos maduros na fé e chorar pelos nossos pecados em vez de gritar nossas virtudes!