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Antonio Carlos Costa
7 hours ago·4 min read
Estava em casa de manhã quando o telefone tocou. Era a minha querida mãe cumprindo fielmente seu ministério de anunciar para a família as tragédias que ocorrem no mundo: “Meu filho, acabaram de explodir a Estátua da Liberdade”. Liguei a televisão para saber o que estava acontecendo. Ao ver as imagens, sentei na poltrona e dali não mais saí.
Eu estive, bem antes do atentado terrorista, no topo do World Trade Center. Caminhava pelas ruas de Nova Iorque, quando me ocorreu o desejo de subir até o terraço das torres gêmeas a fim de orar.
Passei umas duas horas orando. Lá do alto, olhava para aquela quantidade imensa de edifícios imponentes, nos quais brilhavam as luzes dos escritórios. Pensava na quantidade de gente talentosa e inteligente trabalhando e a partir dali exercendo sua influência sobre o mundo. Que privilégio ter acessos aos bens culturais de uma nação próspera e assim se equipar intelectualmente para expressar seu pleno potencial e deixar sua marca na história.
Senti como se estivesse no pináculo das grandes capitais do planeta, como que a enxergar todas elas. Do topo do prédio mais alto de Nova Iorque, contemplava a cidade mais cosmopolita do mundo, ali a representar a glória das nações e do engenho humano.
Eu era muito jovem. A vida me apresentava os mais diversos caminhos para tornar-me conhecido na cidade dos homens e também deixar a minha marca.
Passei no alto daquela torre que não mais existe por experiência que jamais esquecerei. Olhava para o esplendor de Manhattan, mas em vez de fixar-me apenas na sua beleza, reflexionei sobre o que ali havia de trágico. Pensei nos seus cemitérios, hospitais, delegacias. Sim, ali vivem mortais e pecadores. Pensei que toda aquela gente brilhante caminhava inexoravelmente para a morte, enquanto mantinha-se exposta aos indizíveis sofrimentos dessa vida dura, curta e incerta que todos vivemos.
Não estou certo se cheguei a dizê-lo em voz alta, mas lembro-me de ter declarado para Nova Iorque e para a glória de todos os reinos da terra: “Eu estou crucificado para ti e tu estás crucificada para mim. Tu não atendes aos desejos do meu coração. Busco uma cidade onde pessoas não sejam acometidas por doenças incuráveis, a morte não entre e a injustiça não prevaleça. Não viverei para ti”.
Quando vi ambos os prédios desmoronarem, me lembrei daquela oração. Agradeci a Cristo pelo seu evangelho, que desde os meus 20 anos de idade, ensinou-me a aguardar pela cidade santa e viver como um cidadão que não pertence a esse mundo, no qual tudo o que é sólido se desmancha no ar, seja na cultura, seja na política, seja na vida física.
Mais do que nunca, sei onde estou depois do 11/9: andando como peregrino nesse mundo, em busca da minha verdadeira pátria.
“Venha, vou mostrar-lhe a noiva, a esposa do Cordeiro. E ele me levou, no Espírito, a uma grande e elevada montanha e me mostrou a cidade santa, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, a qual tem a glória de Deus… Não vi nenhum santuário na cidade, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro.
A cidade não precisa do sol nem da lua para lhe dar claridade, pois a glória de Deus a ilumina, e o Cordeiro é a sua lâmpada. As nações andarão mediante a sua luz, e os reis da terra lhe trazem a sua glória. Os seus portões jamais se fecharão de dia, pois nela não haverá noite. E lhe trarão a glória e a honra das nações. Nela não entrará nada que seja impuro, nem o que pratica abominação e mentira, mas somente os inscritos no Livro da Vida do Cordeiro.
Então o anjo me mostrou o rio da água da vida, brilhante como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da praça da cidade, e de um e de outro lado do rio, está a árvore da vida, que produz doze frutos, dando o seu fruto de mês em mês. E as folhas da árvore são para a cura dos povos. Nunca mais haverá qualquer maldição. Nela estará o trono de Deus e do Cordeiro. Os seus servos o adorarão, contemplarão a sua face, e na sua testa terão gravado o nome dele. Então já não haverá noite, e não precisarão de luz de lamparina, nem da luz do sol, porque o Senhor Deus brilhará sobre eles, e reinarão para todo o sempre”. Apocalipse 21–22: 1–5
Fundador da ONG Rio de Paz, teólogo e jornalista.
Fundador da ONG Rio de Paz, teólogo e jornalista.

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