A carta de Paulo aos Romanos, nas Sagradas Escrituras, foi considerada por Martinho Lutero o livro mais importante do novo testamento. Claro que, vindo de Lutero, é uma opinião muito justificável, visto que foi essa carta que abriu os seus olhos para a justificação pela fé (Romanos 1:17).
Mas esse episódio na vida de Lutero demonstra a riqueza que há em cada versículo, ou mesmo, em cada palavra da carta de Romanos. Claro que as Sagradas Escrituras, principalmente por causa de sua inspiração divina (2Timóteo 3:16), é rica em cada palavra, frase e texto em todo o seu conteúdo.
Mas a carta de Paulo aos Romanos demonstra isso com uma facilidade que deve ser reconhecida.
Em contrapartida, por causa da sua riqueza de detalhes, muitas pessoas não percebem como é belo o significado central da carta de Romanos. O que é percebido quando olhamos para essa carta com uma visão de cima, do começo ao fim. Tendo uma visão do que essa carta quer resumir.
Esse artigo tem esse objetivo. De mostrar a ligação entre todos os capítulos dessa carta que é, tanto rica em detalhes, como é rica em sua mensagem geral.
Como toda carta de Paulo, ele começa fazendo uma introdução e alguns elogios sobre a fé da igreja que receberia essa carta (Romanos 1:1–12). Mas, já no primeiro capítulo, Paulo inicia um assunto que o Espírito Santo quer que seja muito bem exposto. Esse assunto é o pecado da humanidade.
Paulo começa a falar sobre como o homem é pecador por não reconhecer a pessoa de Deus (Romanos 1:21) e ainda corromper a sua imagem para o seu próprio benefício (Romanos 1:22–23). As Sagradas Escrituras vão nos ensinar, nesse momento, que por causa desse pecado o homem foi entregue as suas próprias paixões (Romanos 1:24) e isso, por si só, já é o seu castigo (Romanos 1:27).
Então Paulo, no capítulo 2, se volta para a igreja de Roma, dizendo que eles não podiam julgar a humanidade por essa condição pecaminosa, pois, eles também eram pecadores (Romanos 2:1). Ele condena os gentios afirmando que quando eles obedecem a Deus instintivamente, mostram que conhecem a lei do Senhor (Romanos 2:14), mas que seu coração é rebelde porque se recusam a abandonar o pecado (Romanos 2:5).
Por fim, Paulo se dirige aos Judeus, dizendo que, por mais que eles tivessem a lei de Deus, eles são tão pecadores quanto o mundo, ou quanto a igreja, porque eles ensinam os outros sobre a lei, mas não a si mesmos (Romanos 2:21). As Sagradas Escrituras vão afirmar que todo o resto do mundo blasfema contra Deus por causa da desobediência do povo de Israel (Romanos 2:17).
No início do capítulo 3, então, Paulo faz um resumo de tudo o que tinha escrito até então, dizendo que o mundo, a igreja, os judeus, todos são pecadores. Ninguém é justo, nem um sequer. Ninguém é sábio, ninguém busca a Deus. Todos se desviaram e se tornaram inúteis (Romanos 3:10–12).
Os três primeiros capítulos da carta que Paulo escreveu para a igreja em Roma nos dão uma mensagem de luto, tristeza e angústia. Pois ela nos leva a entender o quanto somos maus, pecadores e merecedores de uma ira eterna de um Deus eternamente santo (Romanos 2:8).
‘somos declarados justos diante de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, e isso se aplica a todos que creem, sem nenhuma distinção. ‘
Romanos 3:22
A esperança então é anunciada perto do fim do capítulo 3 de Romanos. Paulo começa a falar sobre aquilo que nos liberta de uma vida de pecado. A nossa fé em Cristo Jesus.
Nossa alegria é renovada quando entendemos que deveríamos ser condenados por nossos pecados, mas o condenador também é o nosso justificador. Ele nos declara justos, por meio da fé em Cristo, mesmos nós sendo pecadores (Romanos 3:26).
Então, no capítulo 4, Paulo começa a nos dar exemplo da justificação por meio dessa fé. Ele fala sobre Abraão e a forma como ele foi considerado justo, porque creu (Romanos 4:3; Romanos 4:9; Romanos 4:22).
Continua, no capítulo 5, nos dando uma mensagem de paz através da nossa justificação (Romanos 5:1). Essa fé e essa justificação é tão poderosa, que podemos nos alegrar no sofrimento. Porque, como um conhecido pregador sempre repete, o sofrimento produz perseverança, a perseverança produz experiência, a experiência nos dá esperança. Esperança que não nos decepciona, porque o Senhor, nosso Deus, demonstra o seu amor através do seu Espírito que habita em nós (Romanos 5:3–5).
Começamos a entender que o pecado e a morte vieram por causa do pecado de Adão em nossas vidas (Romanos 5:12), mas que a salvação e a vida eterna vem por meio da fé em Cristo Jesus (Romanos 5:16).
‘Graças a Deus, a resposta está em Jesus Cristo, nosso Senhor. Na mente, quero, de fato, obedecer à lei de Deus, mas, por causa de minha natureza humana, sou escravo do pecado.’
Romanos 7:25
A partir daí se inicia uma nova perspectiva de Paulo sobre o pecado em nossas vidas. Nos capítulo 6 e 7, Paulo vai enfatizar que, depois de cremos em Cristo, não somos mais os pecadores que ele citou nos primeiros capítulos (Romanos 6:11). Mas que estamos libertos do pecado e de sua escravidão (Romanos 6:6). Na verdade, agora somos escravos da justiça e não podemos mais viver em pecado. Quando pecamos, na verdade não somos nós, mas sim o pecado que habita em nós (Romanos 7:20).
Em seguida Paulo começa a descrever com profundidade e riqueza que essa libertação acontece por meio do Espírito Santo de Deus (Romanos 8:2). Inicia, então, um contraste entre a nossa natureza humana e o Espírito Santo que habita em nós (Romanos 8:9–14). E aprendemos a beleza do Espírito santo que nós torna filhos de Deus (Romanos 8:15–16).
É através do Espírito que temos a esperança de vivermos uma glória futura que nós nem sequer conseguimos imaginar (Romanos 8:18–20). Além disso, é através do Espírito que podemos receber o amor de Deus, um amor que não pode mais ser separado de nós por nada que exista nos céus e nem na terra (Romanos 8:35–39).
Algo interessante de se notar é que, nos capítulos 9, 10 e 11, Paulo parece fazer um resumo de tudo o que foi dito até aqui. Ele começa falando novamente que nós não somos salvos por mérito, mas sim pela graça imerecida que nos alcança por meio da fé (Romanos 9:30).
Mas não qualquer fé, e sim uma fé que Jesus Cristo é Senhor (Romanos 10:9). Uma que vem ao ouvir a mensagem a respeito de Jesus (Romanos 10:17). Termina, no capítulo 11, dizendo que Israel recebeu condenação por não ter essa (Romanos 11:23).
Os capítulos 12, 13, 14 e 15 entram em um assunto doutrinário sobre a igreja de Roma. Paulo começa a instruir o papel de cada membro da igreja de acordo com o dom que recebeu (Romanos 12:6–8). Ele também instrui sobre nossa submissão às autoridades (Romanos 13:1).
Nos ensina sobre sermos pacientes com os irmãos fracos na fé (Romanos 14:1) e continua nos advertindo para que possamos edificar uns aos outros (Romanos 15:1).Tudo isso entre outros diversos ensinamentos para a igreja de Roma, quando, finalmente, ele concluí sua carta no capítulo 16.
Mas se pararmos para analisar, Paulo escrevia essa carta para a igreja de Roma com o intuito de doutriná-la, como ele faz com todas as cartas. Mas ele entra e vários assuntos doutrinários apenas nos últimos capítulos.
O que aprendemos com o significado central da carta de Paulo aos romanos, é que, por mais que a doutrina da igreja seja de suma importância, a igreja precisa ter sua base de fé bem fundamentada.
Paulo gasta 11 capítulos para mostrar de forma exaustiva que todos somos pecadores merecedores da ira de Deus, mas que, pela graça de um Deus misericordioso, nós fomos reconciliados através de seu Espírito Santo por meio da no nosso Salvador Jesus Cristo.
Dois terços da carta de Paulo é para apresentar apenas esses pontos, que por mais que pareçam simples, são as primeiras coisas que toda igreja deve estar bem enraizada. Não pode haver dúvida, não pode haver incerteza.
Por isso, antes de qualquer doutrina, Paulo abre os olhos da igreja para entenderem que todos nós somos pecadores miseráveis, mas fomos alcançados por uma graça divina, por meio da fé em Cristo Jesus e, através do Espírito Santo, de pecadores perdidos nos tornamos filhos do próprio Deus.
Isso é a primeira coisa que importa. Antes de doutrina, antes de mandamentos, antes de qualquer regra de prática dentro da igreja. Nossa fé deve estar firme como uma rocha, inabalável como o próprio Deus a qual ela crê.
Que possamos aprender com toda a carta de Paulo aos Romanos e termos certeza das bases da nossa fé em Cristo Jesus. Que, após isso, possamos nos dedicar na nossa vida de prática do amor e da nossa fé, junto com os nossos irmãos na comunidade dos santos.
‘Vocês, porém, são povo escolhido, reino de sacerdotes, nação santa, propriedade exclusiva de Deus. Assim, vocês podem mostrar às pessoas como é admirável aquele que os chamou das trevas para sua maravilhosa luz. ‘
1Pedro 2:9

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