O escritor C. S. Lewis um dia disse que a nossaideia de Deus não é uma ideia divina. Ela deve ser despedaçada. Ele próprio a despedaça.” (Anatomia de uma Dor). Sigmund Freud dizia que a nossa ideia de Deus é resultado das nossas experiências com os nossos pais (Nicholi, Armand. Deus em Questão). Ambos, demonstram que precisamos nos livrar constantemente do viés que temos de algo divino e, com muita humildade, olhar para as Sagradas Escrituras para conhecermos quem, de fato, é Deus.
Jesus Cristo é a expressão máxima de um Deus que quebra o nosso padrão de divino. Um Deus que serve, que esvazia de si mesmo (Filipenses 2:7), que não tinha nada belo, nem majestoso em sua aparência (Isaías 53:2). Quando pensamos em um deus, não pensamos em Cristo e, às vezes, não conseguimos enxergar a divindade do nosso Salvador.
Esse artigo traz uma reflexão de como podemos enxergar que Jesus, sendo homem, nos mostra o que realmente é ser Deus e ter todo o poder.
Cristo foi reconhecido como Deus. Não de maneira unânime, mas através dos poucos e agraciados homens que tiveram seus olhos abertos pelo Espírito Santo. O Apóstolo Pedro foi um deles, quando declarou que Jesus era “Cristo, filho do Deus vivo” (Matheus 16:16). “A palavra Cristo vem da palavra grega christos, que é uma tradução da palavra Messias. (…) Em um sentido, para Cristo ser o Messias, ele tinha de ser o Pastor, o Rei, o Cordeiro e o Servo Sofredor, profetizados, todos, por Isaías” (Sproul, R.C.. Somos Todos Teólogos: Uma introdução à Teologia Sistemática [p. 208]).
Um centurião romano também reconhece a divindade de Cristo, mesmo quando Ele estava na cruz, dizendo “Verdadeiramente este era Filho de Deus” (Matheus 27:54). Tomé, ao ver Cristo ressuscitado, exclama: “Senhor meu e Deus meu!” (João 20:28). No caso de Tomé, a divindade de Cristo reconhecida fica ainda mais evidente quando entendemos o contexto judaico acerca da palavra Senhor.
Os cinco primeiros livros das Escrituras foram escritos com uma finalidade primária. Ensinar o povo de Israel que havia um só Deus Criador (Gênesis 1:1), a queda da humanidade, a história até os patriarcas e as leis de Deus para o seu povo. Dentro dessa história, os israelitas foram apresentados aos nomes do Deus Vivo. Um deles é Senhor (Gênesis 4:26). Portanto, todo judeu que reconhecesse algo como Senhor, não estava reconhecendo apenas a sua autoridade mas, também, a sua divindade.
Jesus Cristo foi reconhecido como Deus, não porque tinha sido Deus, não porque seria Deus, mas, porque estava sendo Deus mesmo como homem.
Cristo reconhecia ser Deus. Ele não fazia isso abertamente para a multidão, mas ensinava a seus discípulos acerca de sua divindade de maneira clínica e inegável. Cristo se auto proclamou “Eu Sou” (João 8:58) e a única pessoa que tinha se auto declarado dessa maneira, tinha sido o próprio Deus para Moisés (Êxodo 3:13–14).
Cristo se declara o único caminho, a verdade e a vida (João 14:6); declara que quem o vê, vê Deus (João 14:9); declara que é o pão que desce do céu, para que todo o que Dele comer não pereça (João 6:48–50); Ele é a videira (João 15:5); Ele é a porta (João 10:9); Ele é o bom pastor (João 10:14).
“Essas palavras notáveis, tão características do quarto evangelho, enfatizam a crença de que o Pai fala e age no Filho — em outras palavras, que Deus é revelado em Jesus e por intermédio dele. Ter visto Jesus é ter visto o Pai — em outras palavras, deve-se entender Jesus, uma vez mais, como aquele que atua como Deus” (McGrath, Alister. Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica: Uma introdução à Teologia Cristã [p. 411]).
Jesus se declarava Deus, como sendo Deus no momento da declaração. Nem antes, nem depois. Enquanto falava ser Deus, também estava sendo Deus.
A discussão sobre a divindade de Cristo também é histórica. Ela vem desde o primeiro século. O Novo Testamento carrega várias marcas de uma época que era necessário provar que Cristo era plenamente Deus e plenamente Homem. O Evangelho de João, talvez, seja o livro neotestamentário que mais provou esses dois extremos.
“Na época em que este evangelho foi escrito, existia uma seita judaico-cristã conhecida como ebionitas, os quais ensinavam que Jesus era apenas homem. Nessa mesma época, também existia uma doutrina chamada de docetismo, que ensinava que Cristo não era realmente homem, mas algo mais parecido com um espírito divino” (Shelley, Bruce L. A História do Cristianismo [p. 67]).
Nesse sentido, o Evangelho de João, tenta trazer claramente a plenitude, tanto da humanidade, quanto da divindade de Cristo, desde o início até o fim. Declarando que Jesus era Deus e estava com Deus (João 1:1) e também enfatizando sua humanidade, mesmo depois de ressurreto, ao pedir para Tomé tocar suas cicatrizes (João 20:27).
A discussão sobre a divindade de Cristo continua no segundo século. Irineu de Lyon se torna um grande defensor daquilo que as Sagradas Escrituras afirmam. “Segundo ele, a obra da salvação pressupõe que Cristo é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, não tentando explicar como aconteceu tal fato (…), pois, o Deus que cria é o mesmo que salva” (Thomaz de Almeida, Joãozinho. Introdução aos Estudos da Patrística [p. 127]).
Assim como Irineu, temos também Tertuliano no mesmo século. Defendendo a divindade do nosso Salvador, “falando de modo claro das duas naturezas na única pessoa de Cristo, onde os milagres de Jesus revelavam sua divindade e os sentimentos e paixão a sua verdadeira humanidade” (Thomaz de Almeida, Joãozinho. Introdução aos Estudos da Patrística [p. 131]).
Talvez, a controvérsia ariana do século IV tenha sido a mais significativa nesse contexto. Ário alegava que Cristo deveria ser considerado como criatura, embora, não obstante, superior às demais. O Concílio de Niceia (325 d. C.) foi convocado pelo imperador romano Constantino, a fim de solucionar essa controvérsia, onde no fim, a “teologia” ariana foi considerada herege e o termo “consubstancial” foi (provavelmente) introduzido. Esse termo significa que Jesus Cristo e o Deus Pai, são “um em existência ou um em substância” (McGrath, Alister. Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica: Uma introdução à Teologia Cristã [p. 57]). O resultado do concílio foi a formulação de um credo que tenta enfatizar a divindade de Cristo. Podemos ler um trecho desse famoso credo cristão abaixo:
“…Cremos em um só Senhor, Jesus Cristo, Filho Unigênito de Deus, gerado do Pai desde toda a eternidade, Deus de Deus, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai; por Ele todas as coisas foram feitas…”
Outro concílio que discutiu a divindade de Cristo, posteriormente, foi o Concílio de Calcedônia (451 d. C.). Assim como o de Niceia, ele produziu um credo que enfatiza as duas naturezas de Jesus. “Deste concílio procede à formulação clássica sobre a natureza dual de Cristo, ou seja, que Cristo é uma única pessoa com duas naturezas — vera homo vera Deus. A palavra vera vem do latim veritas, que significa ‘verdade’. A ideia aqui é que Cristo é verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus” (Sproul, R.C.. Somos Todos Teólogos: Uma introdução à Teologia Sistemática [p. 200]).
Entendemos que a história da igreja é marcada pela discussão sobre a divindade de Cristo desde os primeiros séculos. Toda tradição que foi construída sobre o conhecimento da pessoa de Jesus não deve ser descartada. “Abandonar o passado é não entender o presente e perder o futuro. O passado é presente” (Thomaz de Almeida, Joãozinho. Introdução aos Estudos da Patrística [p. 127]).
Mas, voltando o nosso olhar para as Sagradas Escrituras, podemos com firmeza enxergar a divindade de Cristo enquanto homem aqui na terra. A diferença é que, como falamos no começo, Jesus exercia uma divindade que para nós, homens carnais, é difícil de admitir.
Nossa ideia de deus é uma ideia egoísta. Se fossemos deuses, gostaríamos de ter todo o reconhecimento possível e manifestar o nosso poder para satisfazer os desejos momentâneos do nosso coração. Cristo mostra sua divindade em alguns aspectos que nós nunca imaginaríamos.
O perdão de pecados é um poder divino. Só Deus pode perdoar as dívidas que alguém tem com o próprio Deus. Jesus Cristo tinha autoridade na terra para perdoar pecados (Matheus 9:2). Os homens, quando viram isso, não conseguiram enxergar a sua divindade.
Mas Cristo, ao perceber isso, curou um paralítico para que eles pudessem ver algo que mostrasse que Ele realmente era Deus e para que eles soubessem que, quando ele perdoava pecado, era por causa de sua natureza divina (Matheus 9:6).
A carta de Tiago vai dizer que “somente aquele que deu a lei é juiz” (Tiago 4:12). Os judeus tinham a lei de Deus, uma lei a qual Deus era o único que tinha autoridade sobre ela. Cristo tinha autoridade sobre toda a lei. Ele demonstra isso não apenas por ser o único a cumprir toda a lei, mas também por se autodeclarar Senhor da lei (Lucas 6:2–5).
Por meio de Cristo, Deus é justo e justificador (Romanos 3:26). Cristo demonstra sua divindade através da sua justiça sobre a lei.
Deus fala desde o princípio (Gênesis 1:3). No evangelho de João aprendemos que Cristo é sua Palavra encarnada (João 1:14) e que por meio dela tudo foi criado (João 1:3). Deus, por toda história da humanidade, quis enfatizar que Ele falava (Ezequiel 17:24; 24:14; Isaías 22:14; 24:3).
Encontramos a divindade de Cristo quando vemos que o Deus Pai, um dia, não quis ser ouvido mas pediu para que ouvissem o seu filho. “A Ele ouvi” (Matheus 17:5), esta frase tem um significado enorme porque Deus Pai está deixando aquilo que foi a marca da essência de Deus durante todo o antigo testamento, sua Palavra, sobre a autoridade Cristo, o Deus vivo.
Jesus mesmo disse que só Deus é bom (Marcos 10:18). A Palavra de Deus nos ensina que Deus revela sua bondade por meio de Cristo Jesus (Efésios 2:7). No artigo “Por que só Deus é bom?” da nossa página, tentamos explicar um pouco esse conceito de bondade divina.
Na conclusão do artigo, entendemos que ser bom é a essência de Deus que era revelada em Cristo Jesus. Só Deus é bom e Cristo é bom, logo, Cristo é Deus.
Existem outros atributos divinos que Cristo manifestou aqui na terra enquanto encarnado. Esse artigo tentou mostrar que, muitas vezes, nossa ideia de deus é diferente do que encontramos em Cristo. Jesus pode ser visto como a pessoa da trindade divina, que manifesta os atributos divinos que nós não esperaríamos de um Deus.
O nosso artigo tem a pretensão de mostrar alguns desses atributos. Que ele possa ser algo para edificação e crescimento da igreja. Que possamos cada vez mais conhecer a Deus e ao Seu filho Jesus Cristo. Afinal, isto é a vida eterna.
‘E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. ‘
João 17:3
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