Por trás das desculpas tem muito de fuga a responsabilizar-se pelos próprios atos. A muitos, é difícil falar a verdade, porque essa verdade não seria suficiente para ser uma desculpa. Então, inventam histórias que possam passar um mínimo de credibilidade. Credibilidade essa que não faz parte da personalidade dos desculpadores obsessivos.
Há que se ressaltar, ainda, uma sociedade extremamente egoísta e centrada em si mesma, em grande parte. Assim, torna-se difícil o indivíduo pensar no outro, porque, nessa lógica umbigocêntrica, apenas deve ser feita a própria vontade. Não gosto de velórios, então não vou dar pêsames pessoalmente ao meu amigo. Não curto festa de crianças, então não vou ao aniversário do filho de meu primo. O outro pouco importa.
Por isso, urgentemente, é preciso levar em conta que viver em sociedade significa viver além de si, olhar além do próprio umbigo, saber que ninguém é uma ilha. Todo e qualquer relacionamento requer concessões de ambas as partes. Quem quiser que só seja feita a própria vontade, assim na terra como no céu, que procure a caverna mais próxima e se torne um ermitão. E ponto.
Texto de: Marcel Camargo
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