“O fim das coisas é melhor que o seu início” (Ec 7.8).

O ano de 2018 foi muito tenso, tumultuado, bastante confuso no Brasil, assim como 2019 também continua sendo. O termo “FAKE NEWS” entrou categoricamente para o nosso vocabulário e passou a ser uma presença contínua em nossas vidas. Vimos também que os fatos brutos não são mais levados em consideração, mas, sim, a narrativa que damos a eles, dependendo da ‘verdade’ que queremos mostrar.

Também foi o ano em que uma polarização ideológica e política aprofundou a vala que divide a sociedade brasileira. Esse contraste veio do mundo das ideias e se constituiu entre os relacionamentos antigos e que antes do ano de 2018 sobreviviam até que com certo bom humor a essas posições opositoras. Eram apenas questões de opinião e preferência.

Com o extremismo dos discursos, essa incompatibilidade se intrometeu no cotidiano das pessoas, e as relações foram destruídas. Os amigos de ontem se tornaram os inimigos de hoje. O pior de tudo é que muitos cristãos contribuíram para isso. Usaram e abusaram, até covardemente, das redes sociais e com atrevimento indescritível atacaram à honra daqueles que supostamente deviam proteger, parentes, irmãos na fé e amigos com os quais o Senhor os havia abençoado.

Devemos pedir à Deus que nos faça enxergar a verdade não mais pelas lentes dessas posições em massa e radicalizadas pela desobediência, mas que passemos a julgar corretamente todas as coisas com o tríplice critério estabelecido por Deus:

1. A iluminação do Espírito Santo, que expulsa as trevas da ignorância e santifica a nossa sabedoria;

2. A Palavra de Deus, que preenche a nossa mente da verdade e informa à nossa inteligência para sabermos qual é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para cada ocasião;

3. O amor, que “não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade” (1 Co 13.4b-6).

Com a orientação do Espírito Santo, façamos um profundo exame de consciência. Peçamos como o salmista: “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, conhece as minhas inquietações. Vê se em minha conduta algo Te ofende, e dirige-me pelo caminho eterno” (Sl 139.23-34).

Temos que ser orientados pela Palavra de Deus conforme ensina Paulo: “Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns pelos outros, pois aquele que ama o próximo tem cumprido a Lei. Pois estes mandamentos: ‘Não Adulterarás’, ‘Não Matarás’, ‘Não Furtarás’, ‘Não Cobiçarás’ e qualquer outro mandamento, todos se resumem neste preceito: ‘Ame o próximo como a si mesmo’. O amor não pratica o mal contra o próximo” (Rm 13.8-10).

Agora que sabemos como nós devemos agir, em compatibilidade com a Palavra de Deus devemos fazer um gesto concreto, indo ao encontro de todos aqueles que entristecemos ou com quem ficamos chateados e de relações prejudicadas por causa das “visões de mundo” distorcidas, caídas e impróprias ao padrão das sãs Palavras. E mesmo quando nós estivermos cobertos de razão, se nos faltar a mansidão, a humildade e o amor, ainda que tenhamos agido em genuinidade, não deixa de ser pecaminoso na hora de exortar, corrigir e confrontar. Em qualquer um desses casos e em outros semelhantes, é obrigação do cristão dar o primeiro passo: “No que depender de vós, tende paz com todos” (Rm 12.17).